Cultura: Primeira edição da tradução da Bíblia em português foi atirada ao mar e as seguintes chegaram aos 200 milhões de exemplares


Frei Herculano Alves publicou seis volumes sobre «A Bíblia em Portugal», apresentados hoje em Gouveia, onde indica as referências «ao culto e à cultura» do «Livro dos livros»

Fátima, 01 jul 2021 (Ecclesia) – O investigador em ciências bíblicas frei Herculano Alves publicou seis volumes sobre “A Bíblia em Portugal” e, em seis mil páginas, analisa os seus reflexos no culto e na cultura, a partir da tradução de João Ferreira de Almeida.

“Ele foi o ponto de partida”, disse o frade capuchinho em entrevista à Agência ECCLESIA, referindo-se à tradução da Bíblia para português de João Ferreira de Almeida, cuja primeira edição foi atirada ao mar porque estava “cheia de erros”.

“A primeira tradução do Novo Testamento foi corrigida por holandeses, em Amsterdão, e ficou cheia de erros. João Ferreira de Almeida ficou furioso com aquela obra, onde os holandeses estavam a deturpar a sua tradução, e ele próprio disse que não queria aquela edição. Os holandeses deitaram-na ao mar para que ela desaparecesse mesmo”, refere frei Herculano Alves.

O investigador em ciências bíblicas recorda que o tradutor, protestante calvinista, ficou com 50 exemplares que ele corrigiu à mão e desses “só é conhecido 1″.

“Eu encontrei-o na Biblioteca Nacional, na investigação para o meu doutoramento. Esse único exemplar que existe está muito guardado”, afirmou.

A tradução para português de João Ferreira de Almeida, no século XVII, e é um marco na obra publicada por frei Herculano Alves sobre os “23 séculos de traduções da Bíblia” e sobre a Bíblia no culto e na cultura portuguesa, porque é “de longe” a obra mais editada em língua portuguesa.

“O catálogo de João Ferreira de Almeida dá entre 150 a 200 milhões de exemplares editados em todo o mundo”, sustentou frei Herculano Alves, lembrando que a tradução em causa não foi feita a pensar nos portugueses de Portugal, mas nos “portugueses do Oriente, da orla marítima da África e da Ásia, que falavam a língua portuguesa, sobretudo no comércio”.

A obra “A Bíblia em Portugal” vai ser apresentada hoje, em Gouveia, no contexto dos eventos preparatórios do Congresso Internacional “A Bíblia na Cultura Ocidental”.

Frei Herculano Alves recorda que a investigação que resultou na publicação de seis volumes começou no ano 2000,  com o objetivo de referenciar as “raízes bíblicas da cultura”.

“Esteve sempre no meu horizonte esta coletânea para colocar a Bíblia na cultura, a Bíblia nas bibliotecas. Quem sabe se alguém, vendo na biblioteca ‘A Bíblia em Portugal’ desperta a curiosidade para folhear o livro e ver que a Bíblia esteve sempre nas nossas raízes da cultura portuguesa e europeia”, afirmou.

No percurso das traduções em português, a “primeira Bíblia católica” do padre António Pereira de Figueiredo, no tempo do iluminismo pombalino, é analisada ao longo de 250 páginas, no V volume da obra, tendo sido a primeira “legalmente traduzida para português”.

Frei Herculano Alves considera que o século XX é o “século da Bíblia e da cultura bíblica” na Igreja Católica, a partir do “pontapé na crise bíblica” do Papa Pio XII ao publicar a carta encíclica “Divino afflante spiritu” e da publicação da constituição do Concílio Vaticano II “Dei Verbum”.

A obra “A Bíblia em Portugal” vai ser apresentada esta quinta-feira em Gouveira, após as conferências do cardeal Gianfranco Ravasi, do Conselho Pontifício da Cultura, sobre “Bíblia, um código para compreender a cultura ocidental”, e de D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa, sobre o tema “Portugal, um país bíblico”.



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