REVER NOSSA APOSTA


Dom Jacinto Bergmann, Arcebispo Metropolitano da Igreja Católica de Pelotas. Representante de las Conferencias Episcopales de América Latina y El Caribe en el Comité Ejecutivo de la Federación Biblica Católica.

As lições de Jesus de Nazaré, o Mestre divino, são sempre atuais. A atualidade está justamente no fato de elas serem bio-históricas-eternas. Contemplam a dimensão “terrestre” e “celeste” da vida do gênero humano, criado ”do barro” – heretz e com o “sopro divino” ruah. Assim, as mensagens de Jesus de Nazaré são para a vida “terrestre” e para a vida “celeste”. São mensagens salvadoras para ambas as dimensões da vida.

Relendo, nos últimos dias, mais uma vez, o Sermão da Montanha do Mestre divino, o trecho do capítulo seis, versículos dezenove a vinte e um, pelo contexto pandêmico em que vivemos, provocou em mim um impacto cardiacamente entranhado. É um trecho pequeno, que aqui vale a pena ser reproduzido: “Não ajunteis tesouros para vós, aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões arrombam. Ao contrário, ajuntai-vos tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e os ladrões não arrombam nem roubam. Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Evangelho de Mateus).

Iniciando com a última afirmação do trecho: ”Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração”, qual é o acento da lição do Mestre divino que é preciso levar em consideração? Muito significativo, aqui, é trazer presente o coração e considerar o espaço que ele ocupa. O coração é visto com o significado semítico de “sede de decisão” e com o significado helênico de “sede de sentimento”. Assim, é o coração que “decide” e que “sente”.

É o coração que decide pelos “tesouros terrenos” e por eles quer sentir paixão; ou, é o coração que decide pelos “tesouros celestes” e por eles quer sentir paixão. Está correto, pois, afirmar que “onde está o nosso tesouro, aí estará também o nosso coração”. Mas, vale também afirmar a recíproca: onde está o nosso coração, aí estará também o nosso tesouro.

O texto bíblico, portanto, coloca na afirmação de Jesus de Nazaré um desafio de uma aposta vital: o nosso coração aspira apostar decidindo por tesouros terrestres para sentir neles toda a sua paixão, ou, o nosso coração aspira apostar decidindo por tesouros celestes para sentir neles a sua paixão? É bom de novo lembrar: o gênero humano foi criado “do barro” – heretz e com o sopro divino – ruah. Nele, como refletia o gênio da inteligência, o santo Agostinho de Hipona, “o coração anda inquieto, enquanto não repousa em Deus”.

Agora ganham total sentido as duas afirmações iniciais da lição do Mestre divino. Elas praticamente são as consequências da aposta que o nosso coração faz. Uma é a consequência da aposta nos tesouros “terrenos” – “aqui na terra” e outra é a consequência da aposta nos tesouros “celestes” – “no céu”!

Quando o coração decidir e querer sentir a plenitude, apostando nos tesouros “terrenos”, a consequência é clara: “a traça e a ferrugem destroem e os ladrões arrombam e roubam”. Os tesouros terrestres são penetráveis – pela traça e a ferrugeme são frágeis – “expostos ao roubo e arrombamento dos ladrões”. Será que a humanidade nesta pandemia, terá coragem de rever a sua aposta de coração?

Quando o coração decidir e querer sentir a plenitude, apostando nos tesouros “celestes”, a consequência é clara também: “a traça e a ferrugem não destroem e os ladrões não arrombam e roubam”. Os tesouros celestes são impenetráveis – “pela traça e ferrugem” e são consistentes – “não expostos ao roubo e arrombamento dos ladrões. É possível sonhar que a humanidade nesta pandemia dará espaço ao seu coração para a aposta veraz?

Pandemia é sinônimo de rever nossa aposta: em quais tesouros colocamos os nossos corações?

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