Bispos do Sínodo para a Amazônia renovarão, no domingo, o Pacto das Catacumbas


0 Grupo de padres sinodais refaz o ato e a promessa de opção pelos pobres, incentivados pelos temas apresentados na assembleia sobre a Região Pan-Amazônica.

(Publicação de Mirticeli Medeiros direto da cidade do Vaticano para o site da Dom Total)

Participantes do Sínodo da Amazônia se reunirão no próximo domingo (20/10/2019) para renovar o chamado Pacto das Catacumbas, um documento assinado por mais de 40 bispos latino-americanos às vésperas da conclusão do Concílio Vaticano II, em 1965. O evento aconteceu na catacumba de Santa Domitila, em Roma.

O grupo participará de uma missa presidida por dom Erwin Kräutler, C.PP.S bispo emérito da prelazia do Xingu (PA). Por volta das 7h da manhã (2h no horário de Brasília), alguns membros da assembleia sinodal seguirão, em seguida, rumo ao local que testemunhou esse momento histórico para a Igreja Católica, marcadamente para a Igreja latino-americana.

Dom Helder Câmara

Na ocasião do ato original, em 1965, entre os 42 signatários, além de dom Helder Câmara, estiveram presentes outros cinco bispos brasileiros:

• dom João Batista da Mota e Albuquerque (1909-1984), então arcebispo de Vitória;

• dom Francisco Austregesilo de Mesquita Filho (1924-2006), bispo de Afogados de Ingazeira (PE);

• dom José Alberto Lopes de Castro Pinto (1914-2007), bispo auxiliar do Rio de Janeiro;

• dom Henrique Hector Golland Trindade (1897-1974), bispo de Botucatu (SP); e

• dom Antônio Batista Fragoso (1920-2006), bispo de Crateús (CE).

Um dos idealizadores desse compromisso público e colaborador do texto foi dom Helder Câmara (1909-1999), à época arcebispo de Olinda e Recife e referência na defesa dos direitos humanos no Brasil. No texto foram elencadas 13 promessas de desapego aos bens materiais e aos privilégios ligados à vida episcopal.

O pacto influenciou o surgimento da Teologia da Libertação, uma postura de vigília às ditaduras autoritárias vigentes no continente latino-americano, além de ter motivado a convocação da segunda Conferência Geral do Episcopado Latino Americano (Celam), realizada em Medellín, na Colômbia, em 1968.

Em um dos trechos da carta, os bispos prometem

“dar todo o tempo, reflexão, coração, meios etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos”.

O texto fala, inclusive, de cobrar das autoridades “a observação das leis em favor da justiça, da igualdade e do desenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens”.

Leia alguns trechos do documento de 1965:

• “Procuraremos viver segundo o modo ordinário da população, no que concerne à habitação, à alimentação e aos meios de locomoção“;

• “Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza“;

• “Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco“;

• “Confiaremos a gestão financeira em nossa diocese a uma comissão de leigos“;

• “Recusamos ser chamados com nomes que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor…). Preferimos padre“;

• “Evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios“;

• “Mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião“.

https://observatoriodaevangelizacao.wordpress.com/2019/10/18/bispos-do-sinodo-para-a-amazonia-renovarao-no-domingo-o-pacto-das-catacumbas/

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