As origens históricas do Mês da Bíblia e o convite especial para a sua celebração em setembro de 2019


O mês de setembro, para os cristãos católicos do Brasil especialmente, tornou-se um tempo forte dedicado intensamente ao cultivo da intimidade e da centralidade da Palavra de Deus. Por isso tem sido um tempo propício, verdadeiro kairós, de interpelação e conversão ao Deus da vida, que por meio de sua Palavra viva, a nós revelada de modo pleno na vida de Jesus de Nazaré, se faz fonte de luz para o nosso caminhar e de coragem para o assumir responsabilidade na vida nova e seguir com passos firmes a caminhada da fé vivida em comunidades fraternas de partilha de vida.

Setembro é um mês especial de estudo intensivo de um livro da Bíblia que nos é proposto a cada ano pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Mas como foi o início desta caminhada há 49 anos atrás? Esta rica experiência de evangelização, começou pequenina e localizada na Arquidiocese de Belo Horizonte, quando, no marco celebrativo de seus 50 anos de história, no ano de 1971, o Pe. Antônio Gonçalvez juntamente com o Serviço de Animação Bíblica das Paulinas (SAB), tiveram a fecunda ideia de promover uma experiência de animação bíblica das comunidades no mês de setembro, pois, a Igreja Católica, desde o ano de 1947, celebra o Dia da Bíblia no último domingo de setembro, dia da morte de São Jerônimo, destacado biblista na história do Cristianismo. Além disso, com o Concílio Vaticano II, que explicitou e promoveu a centralidade da Bíblia na vida cristã, a Palavra de Deus paulatinamente foi ocupando um espaço privilegiado na família, nos círculos bíblicos, na catequese, nos grupos de reflexão e na vida das comunidades eclesiais.

No ano de 1971, então, a Arquidiocese de Belo Horizonte (MG) assumiu a proposta de uma ação bíblica para todos os fiéis, leigos e consagrados, por ocasião da comemoração de seus 50 anos de existência. Sabendo da ação da arquidiocese mineira, o Serviço de Animação Bíblica das Irmãs Paulinas (SAB) passou a propagar, todos os anos seguintes, a celebração do mês dedicado à Bíblia. Com a experiência de evangelizacão propagada e os grupos de estudo bíblico se multiplicando, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com a assessoria do Pe. Alberto Antoniazzi e outros, passou a assumir a data comemorativa e instituiu a celebração do Mês da Bíblia, por todo o país. Atualmente, além do Brasil, vários países da América Latina e África dedicam o mês de setembro à celebração do mês da Bíblia.

Mesmo assim, infelizmente, nem todos os cristãos católicos já percebem a importância de se cultivar intimidade e de estudar a Palavra de Deus para nós e discernir o que Deus quer de nós a partir da luz divina irradiada da pessoa de Jesus – Palavra de Deus encarnada em nossa história – dos profetas e da caminhada do povo de Deus que está consignada na Bíblia por inspiração do Espírito Santo.

A Bíblia – Palavra de Deus na palavra humana – é fruto da autocomunicação de Deus, de seu projeto salvífico, que se revela na história, de modo singular pela vida de Jesus Cristo. A pessoa que acolhe o dom e a proposta da fé e que procura responder com conversão a Deus e entrega confiante à experiência do amor incondicional de Deus sente-se interpelado a amar o outro como irmão e a praticar a justiça, a misericórdia e a partilha da vida. A Bíblia é escrita ao longo da caminhada de fé do Povo de Israel, que teve a abertura de acolher em sua caminhada a presença amorosa de Deus e a coragem de interpretar a sua realidade e discernir os seus passos à luz desta experiência de fé no Deus Criador, no Deus da vida. Desse modo, com a certeza da presença do Deus estradeiro com eles, o povo passou a compreender a sua identidade última como povo de Deus. Passou a considerar a vida de cada um enraizada em Deus e livremente inserida no seio em um grande projeto salvífico universal de amor, que gratuitamente vem de Deus e que nos interpela a dele participar. Isso significava assumir o cultivo da centralidade do amar, o verbo da vida, e servir ao próximo como irmão, portanto, uma experiência de amor de Deus que transforma a nossa vida e nos livremente nos compromete para assumirmos postura de cuidado, defesa da vida, partilhar e concretizar uma caminhada de fé rumo a plenitude da comunhão divina para além da história. 

A celebração do mês da Bíblia tem, pelo menos, três objetivos:

  • Contribuir para o desenvolvimento das diversas formas de presença da Bíblia, na ação evangelizadora da Igreja, no Brasil;
  • Criar subsídios bíblicos nas diferentes formas de comunicação;
  • Facilitar o diálogo criativo e transformador entre a Palavra, a pessoa e as comunidades.

Resumo dos grandes marcos históricos até a afirmação litúrgica do Mês da Bíblia na Igreja Católica:

  • Ano de 1971: Celebração do Mês da Bíblia, na Arquidiocese de Belo Horizonte por sugestão do Pe. Antonio Gonçalves e de outras pessoas, com a coordenação do Serviço de Animação Bíblica das Irmãs Paulinas;
  • Ano de 1976: Cinco anos depois, 30 dioceses de Minas Gerais e do Espírito Santo foram visitadas, nas quais se fazia uma partilha da experiencia e a proposta de assumir o Mês da Bíblia como opção de evangelização, assim como se fazia durante a quaresma com a Campanha da Fraternidade;
  • Ano de 1978: A experiência foi tão rica, que o Mês da Bíblia se estendeu, oficialmente, para todo o Regional Leste 2 da CNBB, Minas Gerais e Espírito Santo, como também serviu de inspiração para muitas outras dioceses do Brasil que tiveram acesso aos relatos e aos frutos desta caminhada;
  • Ano de 1985: Animado pelo Serviço de Animação Bíblica das Paulinas (SAB), o Mês da Bíblia se estendeu para todo o Brasil e para outros países da América Latina;

Temas do Mês da Bíblia de 1971 a 2013:

  • 01) Ano de 1971: Bíblia, Jesus Cristo está aqui;
  • 02) Ano de 1972: Deus acredita em você;
  • 03) Ano de 1973: Deus continua acreditando em você;
  • 04) Ano de 1974: Bíblia, muito mais nova do que você pensa;
  • 05) Ano de 1975: Bíblia, palavra nossa de cada dia;
  • 06) Ano de 1976: Bíblia, Deus caminhando com a gente;
  • 07) Ano de 1977: Com a Bíblia em nosso lar, nossa vida vai mudar;
  • 08) Ano de 1978: Como encontrar justiça e paz? O livro de Amós;
  • 09) Ano de 1979: Bíblia, o livro da criação – Gn 1-11;
  • 10) Ano de 1980: Buscamos uma nova terra – A história de José do Egito;
  • 11) Ano de 1981: Que todos tenham vida! – Carta aberta de Tiago;
  • 12) Ano de 1982: Que sabedoria é esta? – As parábolas de Jesus;
  • 13) Ano de 1983: Esperança de um povo que luta – O apocalipse de são João;
  • 14) Ano de 1984: O caminho pela Palavra – Os atos dos Apóstolos;
  • 15) Ano de 1985: Rute, uma história da Bíblia – Livro de Rute;
  • 16) Ano de 1986: Bíblia, livro da Aliança – Êxodo 19-24;
  • 17) Ano de 1987: Homem de Deus, homem do povo – profeta Elias;
  • 18) Ano de 1988: Salmos, a oração do povo que luta – O livro dos Salmos;
  • 19) Ano de 1989: Jesus: palavra e pão – Evangelho de João, cap 6;
  • 20) Ano de 1990: Mulheres celebrando a libertação;
  • 21) Ano de 1991: Paulo, trabalhador e evangelizador – Vida e viagens de Paulo;
  • 22) Ano de 1992: Jeremias, profeta desde jovem – Livro de Jeremias;
  • 23) Ano de 1993: A força do povo peregrino sem lar, sem terra – 1ª Carta de Pedro;
  • 24) Ano de 1994: Cântico: uma poesia de amor – Livro do Cântico dos Cânticos;
  • 25) Ano de 1995: Com Jesus na contramão – Evangelho de Marcos;
  • 26) Ano de 1996: Jó, o povo sofredor – Livro de Jó;
  • 27) Ano de 1997: Curso bíblico popular – Evangelho de Marcos;
  • 28) Ano de 1998: Curso bíblico popular – Evangelho de Lucas;
  • 29) Ano de 1999: Curso bíblico popular – Evangelho de Mateus;
  • 30) Ano de 2000: Curso bíblico – Evangelho segundo João: luz para as Comunidades;
  • 31) Ano de 2001: Curso bíblico – Atos dos Apóstolos, capítulos de 1 a 15;
  • 32) Ano de 2002: Curso bíblico – Atos dos Apóstolos, capítulos 16 a 28;
  • 33) Ano de 2003: Curso bíblico popular – Cartas de Pedro;
  • 34) Ano de 2004: Curso bíblico popular – Oséias e Mateus;
  • 35) Ano de 2005: Curso bíblico popular – Uma releitura do II e III Isaías;
  • 36) Ano de 2006: Come teu pão com alegria – Livro do Eclesiastes;
  • 37) Ano de 2007: Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom – Gênesis;
  • 38) Ano de 2008: A Caridade sustenta a comunidade – Primeira Carta aos Coríntios;
  • 39) Ano de 2009: A alegria de servir no amor e na gratuidade – Carta aos Filipenses;
  • 40) Ano de 2010: Levanta-te e vai à grande cidade – Introdução ao estudo do profeta Jonas;
  • 41) Ano de 2011: Travessia: passo a passo, o caminho se faz (Ex 15,22-18,27) com o lema “Aproximai-vos do Senhor” (Ex 16,9);
  • 42) Ano de 2012: Discípulos missionários a partir do Evangelho de Marcos
  • 43) Ano de 2013: Discípulos missionários a partir do Evangelho de Lucas – Lema: Alegrai-vos comigo, encontrei o que estava perdido (Lc 15);
  • 44) Ano de 2014: Discípulos missionários a partir do Evangelho de Mateus – Lema: Ide, ensinai e fazei discípulos (cf. Mt 28,18-19);
  • 45) Ano de 2015: Discípulos missionários a partir do Evangelho de João – Lema: Permanecei no meu amor para dar muitos frutos (Cf. Jo 15,8-9);
  • 46) Ano de 2016: Para que n’Ele nossos povos tenham vida – Livro de Miquéias;
  • 47) Ano de 2017: Para que n’Ele nossos povos tenham vida – Primeira carta aos Tessalonicenses;
  • 48) Ano de 2018: Para que n’Ele nossos povos tenham vida – Livro da Sabedoria;
  • 49) Ano de 2019: Para que n’Ele nossos povos tenham vida – Primeira Carta de João – Lema: “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19). 

O desafio de celebrar o Mês da Bíblia de setembro de 2019

A Igreja no Brasil celebra o Mês da Bíblia de 2019 com o estudo da 1ª Carta de João. A Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dando continuidade ao ciclo do tema “Para que n’Ele nossos povos tenham vida” propôs para o Mês da Bíblia o estudo da 1ª Carta de João, com destaque para o lema “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19). 

O texto-base não pretende ser um livro para especialistas, mas “Certamente servirá de aprofundamento para agentes de pastoral, para animadores de comunidades, para catequistas (…)”, afirma Dom Peruzzo, presidente da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética. Ele garante também que a boa didática e a sensibilidade pedagógica presentes nas páginas escritas pelo autor, o professor Cláudio Malzoni, de Recife, ensejarão grande apreço por este escrito do Novo Testamento.  “Que o estudo da Primeira Carta de João mova-nos e comova-nos a diálogos fraternos e a convivências pacificadoras, amando-nos uns aos outros”, exorta o bispo.

No texto-base, lançado pela Editora CNBB, logo em suas primeiras páginas são dadas algumas orientações básicas sobre a Primeira Carta de João, importantes para situá-la em seu contexto histórico, literário e teológico. À medida que o leitor avança poderá encontrar informações básicas referentes ao gênero literário, ao autor e aos interlocutores, aos temas teológicos principais, à época e ao lugar de composição da Carta. Nos capítulos seguintes, o autor busca fazer uma exposição passo a passo.

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